Comentário ao Workshop “Novas Tecnologias e Práticas Criativas”

Texto de comentário ao workshop orientado pelo Professor Doutor Álvaro Barbosa sobre a temática “Novas Tecnologias e Práticas Criativas: da Interacção ao Design Sonoro”. O texto foi elaborado por Pedro Teixeira, Mestrando em Ensino de Artes Visuais, na Faculdade de Filosofia da UCP, Braga.

Trabalho publicado pelo Jornal Diário do Minho, edição de 13 de julho de 2011 (Suplemento Cultura, p. III)

> Outros seminários e workshops realizados: cf. aqui  

Iconografia do profeta Elias III*

O quadro que apresentamos é de um dos maiores artistas barrocos e, provavelmente, dos maiores da história da pintura, o flamengo Peter Paul Rubens (1577-1640), cujas obras se caraterizam pelo requinte sensorial do colorido, pela teatralidade das composições, pela exuberância e dinamismo dos corpos, geralmente dispostos em linha oblíqua e quase sempre contorcidos. Alguém afirmou que Rubens constitui o apogeu de toda a pintura anterior, de Miguel Ângelo a Caravaggio, de Tintoretto a El Greco e Veronese.

Datado de 1625, o quadro representa o profeta Elias recebendo de um anjo o alimento
que lhe permitirá recobrar as forças para a grande caminhada até ao monte Horeb.

Embora o tema seja o mesmo, difere muito dos quadros já aqui apresentados. Neste, o
profeta não aparece a dormir, nem sequer sonolento ou cansado. É representado de pé, pronto para partir, vigoroso, seco de carnes, pernas e braços musculosos. Como é típico das personagens de Rubens, e do Barroco, em geral, não está estático. Faz o gesto, um pouco tímido, talvez respeitoso, de receber a oferta. O manto, de cor branca, contrariamente à cor vermelha habitual, parece agitar-se com a vinda do anjo.

Este, por seu lado, acaba de chegar. Os artistas barrocos gostam de captar o momento
exato da metamorfose. O mensageiro de Deus ainda não parou. Dá o último passo.
Ainda nem recolheu as asas. Também as vestes, esvoaçam como que agitadas pelo vento causado pelo voo. O rosto, extremamente juvenil, delicado, quase feminino, contrasta fortemente com a virilidade do profeta. A expressão facial parece mostrar respeito e espanto, reconhecendo a grandeza daquele atleta de Deus. A arte barroca aprecia os contrastes violentos, exprimindo a ideia de que toda a realidade é uma combinação de opostos.

Repare-se no enquadramento. Sugere que estamos a assistir a uma peça de teatro, num palco delimitado por robustas colunas torsas, salomónicas, também elas cheias de dinamismo, como é próprio da arquitetura barroca. A paisagem, ao fundo, agita-se. As nuvens levantam-se, como as cortinas de um palco, para deixarem ver a cena.

Todos estes elementos compositivos transmitem a impressão de que Elias é um profeta cheio de energia, um homem de acção decidida, não propriamente um contemplativo.

Mas o pormenor que mais me surpreende é o copo que o anjo apresenta. Pela delicadeza do seu trabalho, parece pertencer a um serviço palaciano de mesa. Lembra um copo de Murano, delicadamente trabalhado. Uma peça tão requintada, no meio de um deserto, prestes a ser entregue a um duro asceta, é mais um daqueles contrastes que os barrocos tanto apreciam. Rubens, porém, sabe que a bebida é interpretada como prefiguração do sangue eucarístico de Cristo. Por isso pinta o cálice tão preciosamente.

Aliás, o pão e a taça encontram-se mesmo no centro do quadro. São os elementos mais importantes da composição. Simbolizam a Eucaristia.

* Luís da Silva Pereira – Professor de Iconografia no Curso de Estudos Artísticos e Culturais da Faculdade de Filosofia / UCP / Braga

“O que é teu é meu” – a arte de Jorge Nesbitt e Marcelo Costa

Texto de crítica/comentário à Exposição de pintura dos artistas Jorge Nesbitt e Marcelo Costa que teve lugar no Museu Nogueira da Silva, realizado pelo aluno da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Evandro Miguel Martins Saraiva. Este trabalho foi realizado no âmbito do Estágio Curricular I que este finalista está a realizar no Museu Nogueira da Silva (Braga), integrado no Plano de Estudos do Curso de Licenciatura em Estudos Artísticos e Culturais.

(Publicado no Jornal “Diário do Minho”, 28 de dezembro de 2011, p. 20)

> Outras actividades de Estágio, aqui

Uma Árvore de Natal ecológica

Não passa despercebida a Árvore de Natal sustentável, instalada junto à Escola Secundária Dª Maria II (Braga) pelas mestrandas da FacFil, Cláudia Gomes, Lisete Dias e Sandra Gonçalves – estabelecimento no qual realizam o seu estágio em ensino de Artes Visuais.

Uma ideia original e muito actual. Parabéns às autoras e respectivo Orientador Cooperante, Prof. João Vieira.

(Notícia publicada pelo Jornal “Diário do Minho”)

«Que saibam o que vale a liberdade» – augúrio de Conceição Oliveira para 2012

Com a devida permissão da autora – Drª Conceição Oliveira, licenciada em EACs pela Faculdade de Filosofia da UCP e mestranda na mesma Escola – associamo-nos à reflexão e aos sentimentos expressos nestes sublimes votos de quem nobremente olha para os superiores valores, quando estamos quase, quase a entrar no NOVO ANO. 

Por ser a cor da esperança, tomamos a liberdade de colocar a verde este texto sobre 2012!

Procurei palavras para expressar um desejo que melhor correspondesse ao que julgo ser essencial à vida. Ocorreu-me a palavra “saúde”, estar de boa saúde é muito importante. Ou, “Felicidade”, todos aspiramos alcançar o estado de Felicidade, embora cada um de nós construa a sua própria visão do que é esse estado. O desejo de felicidade assume diversas formas, diferentes ideais, por vezes convergentes, tantas vezes divergentes, mas sempre ligados à finalidade de alcançar a vida boa. Todos aspiramos à vida boa, e a palavra “Felicidade” é aquela que melhor a define. E vida boa para alguns significa ter todos, ou alguns destes bens: emprego, saúde, casa, comida. Outros consideram que o importante é possuir muitos bens materiais, riqueza. Há aqueles para quem a ilustração, ou adquirir ilustração, é o mais importante. Para muitos a vida boa é possuir “poder”. Para outros, os afectos são o mais importante. No decurso da vida, a visão do que é a Felicidade vai sofrendo alteração. Oscilando de acordo com as circunstâncias num dado momento do presente. O  viver ocorre no presente. Após alguma reflexão, decidi que a palavra central para expressar um desejo para o ano de2012 seria: Liberdade.

Sobre a Liberdade Epicteto escreveu, “ Soberano de si próprio é todo aquele que, face ao que quer e ao que não quer, tem a liberdade de o conservar ou recusar. Por isso, quem quer que pretenda ser livre, não deseje ou recuse nada do que esteja na dependência de outrem. De outro modo, é fatalmente um escravo”. Sobre a liberdade haveria muito a dizer, opto por pedir a todos vós que laborem no sentido de desenvolverem a massa crítica da nossa sociedade, e que prevaleça o Amor como elo principal na relação entre todos, natureza que integramos incluída. Sejamos livres porque conscientes do que realmente é importante.

Abraço todos com carinho,

Conceição Oliveira